
Uncategorized | Setembro 28, 2026
Quinta do Paral: a alma da Vidigueira entre vinhas velhas e tradição alentejana
No coração da Vidigueira, a Quinta do Paral, procura preservar a memória vitivinícola do Alentejo ao mesmo tempo que desenvolve uma abordagem contemporânea à produção de vinho. Entre vinhas velhas, castas tradicionais, técnicas de vinificação e projetos de enoturismo, a quinta construiu uma identidade própria profundamente ligada ao território.

Uma história ligada à terra
A história recente da Quinta do Paral começa em 2017, quando o empresário Dieter Morszeck adquiriu 85 hectares de terreno no Alentejo. O projeto foi posteriormente desenvolvido em colaboração com o enólogo Luís Morgado Leão, tendo como preocupações centrais a preservação da cultura vitivinícola da região, a sustentabilidade ambiental e o respeito pelas tradições alentejanas.
A quinta não se limita, contudo, à produção de vinho. O projeto integra também olival, azeite, restauração e alojamento, procurando criar uma ligação mais abrangente entre agricultura, gastronomia, património e turismo.

Vidigueira: o território como ponto de partida
Para compreender os vinhos da Quinta do Paral, é essencial conhecer a Vidigueira. A região possui uma longa tradição vitivinícola e apresenta uma diversidade de solos e condições naturais que contribuem para a identidade dos seus vinhos.
A própria quinta destaca a presença de solos de xisto, granito e argila, além de condições como os ventos de oeste e a humidade noturna. Entre as castas tradicionalmente associadas à região encontram-se Antão Vaz, Perrum, Tinta Grossa e Aragonez. É neste contexto que as vinhas velhas assumem particular importância.
O património das vinhas velhas
Atualmente, a Quinta do Paral apresenta 56 hectares de vinha, dos quais 13 correspondem a vinhas velhas. Estas parcelas representam uma ligação direta ao passado vitivinícola da Vidigueira. Para além da idade das plantas, existe uma diversidade de castas que permite produzir vinhos com diferentes perfis e expressões.
A preservação destas vinhas é, segundo a própria quinta, uma forma de manter vivo um património que faz parte da identidade vitivinícola alentejana.

Uma coleção diversificada de vinhos
A diversidade é uma das características mais evidentes da produção da Quinta do Paral. A propriedade organiza a sua coleção em várias gamas — Vinhas Velhas, Reserva, Superior e Clássico — complementadas por referências especiais que exploram determinadas castas ou métodos tradicionais de vinificação. Esta organização permite acompanhar diferentes interpretações do território, desde vinhos provenientes de vinhas antigas até referências produzidas através de técnicas tradicionais como a fermentação em talha.
Vinhas Velhas
A gama Vinhas Velhas ocupa um lugar central na identidade da Quinta do Paral. São vinhos associados às parcelas mais antigas da propriedade e à preservação de castas tradicionais. Entre as referências encontram-se o Vinhas Velhas Branco e o Vinhas Velhas Tinto.
O branco é produzido a partir de Antão Vaz e Perrum provenientes de vinhas com mais de 50 anos. A quinta descreve-o como um vinho elegante e de aromas frescos. Já o Vinhas Velhas Tinto passa por fermentação em lagar, com pisa mecânica e temperatura controlada, seguindo-se um estágio de 18 meses em barricas de carvalho francês. A descrição oficial destaca frutos do bosque, especiarias e taninos aveludados.


Reserva
A gama Reserva representa uma abordagem diferente, combinando a tradição vitivinícola alentejana com castas de origem nacional e internacional. A Quinta do Paral apresenta estes vinhos como tendo um perfil internacional e potencial de envelhecimento.
Reserva Tinto inclui castas como Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon, Malbec e Marselan. A vinificação é realizada em lagar, com pisa mecânica e temperatura controlada, seguindo-se um estágio de 16 meses em barricas de carvalho francês e americano.
A presença destas castas demonstra uma das características do projeto: a capacidade de integrar variedades internacionais no contexto particular da Vidigueira.


Superior
A gama Superior assenta em colheitas criteriosamente selecionadas. Atualmente inclui referências brancas e tintas. No caso do Superior Tinto, as uvas são selecionadas manualmente, desengaçadas e fermentadas em lagar com pisa mecânica. O vinho passa posteriormente nove meses em barricas de carvalho francês e americano.
A ficha oficial descreve aromas de frutos silvestres maduros, ameixa preta e violeta, integrados com notas provenientes do estágio em barrica.


Clássico
Na gama Clássico encontramos uma abordagem mais tradicional e direta. A coleção inclui Tinto, Branco e Rosé, produzidos a partir de diferentes castas. O Clássico Branco, por exemplo, apresenta aromas de fruta tropical, ananás, maracujá e notas cítricas. Na adega, a fermentação decorre em cubas de inox com temperatura controlada.



Castas que contam a história da Vidigueira
Para além das diferentes gamas, a Quinta do Paral apresenta referências que colocam determinadas castas no centro da sua identidade. O Origem Perrum, por exemplo, é produzido a partir de uvas selecionadas de vinhas velhas. A vinificação e o estágio decorrem durante 18 meses em esfera de cimento, com battonage. A quinta descreve notas de flor de laranjeira, lima e toranja, associadas a uma componente mineral.
A coleção inclui igualmente o Origem Antão Vaz, uma referência particularmente relacionada com uma das castas mais emblemáticas dos vinhos brancos da Vidigueira.


Entre tradição e inovação
O que distingue o projeto da Quinta do Paral é precisamente esta tentativa de estabelecer uma ligação entre dois mundos. De um lado, estão as vinhas velhas, as castas autóctones, as talhas de barro e a história vitivinícola da Vidigueira. Do outro, encontramos diferentes técnicas de vinificação, utilização de barricas, esferas de cimento e a integração de castas internacionais.
Não se trata, portanto, apenas de preservar o passado. A Quinta do Paral, procura reinterpretá-lo através de uma produção contemporânea, mantendo a relação com a paisagem e com o património agrícola da região.

Uma quinta com identidade própria
A Quinta do Paral apresenta-se hoje como um projeto que ultrapassa a simples produção de vinho. A propriedade reúne vinhas, adega, azeite, restauração e alojamento, criando uma experiência ligada à cultura e à paisagem alentejanas. A sua coleção de vinhos acompanha essa filosofia. Das vinhas velhas aos vinhos de talha, das castas tradicionais às variedades internacionais, cada gama representa uma forma diferente de interpretar a mesma região.
No fundo, é essa diversidade que ajuda a contar a história da Quinta do Paral: uma história de terra, de vinhas e de tradição, mas também de renovação e de uma visão contemporânea sobre o património vitivinícola da Vidigueira.
Nota editorial
As informações sobre castas, vinificação, hectares e características dos vinhos foram conferidas nas páginas oficiais da Quinta do Paral e correspondem à informação disponível em setembro de 2026.